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Dante Alighieri (1265-1321)Dante Alighieri é considerado por grande parte dos italianos como o seu poeta maior. Nasceu e viveu grande parte da sua vida em Florença, região da Toscana. O seu poema, de estilo épico e teológico, La Divina Commedia (A Divina Comédia) é o culminar da afirmação do modo medieval de ver o mundo e a base da língua italiana moderna. Não se conhece ao certo a data do nascimento do poeta, porém, de acordo com as afirmações por ele mesmo deixadas, estima-se que ele nasceu nos meses de maio ou junho, devido a seu signo, gêmeos. Pressupõe-se que Dante morreu em 1321, aos 56 anos, vítima de malária. Vários sites oferecem informações sobre a vida e lutas políticas de Dante Alighieri, considerado por muitos como uma das personalidades mais importantes da história italiana.
A Divina Comédia é uma das obras poéticas fundamentais da literatura mundial. Seu impacto sobre os contemporâneos de Dante foi enorme e quase imediato. Já no século XIV criaram-se em toda a Itália catedrais especiais para interpretar seu conteúdo alegórico. E a posteridade só confirmou sua grandeza.
Dante Alighieri nasceu em Florença em 19 de maio de 1265, de uma família da baixa nobreza. Sua mãe morreu quando era ainda criança e seu pai, quando tinha dezoito anos.
Pouco se sabe sobre a vida de Dante e a maior parte das informações sobre sua educação, sua família e suas opiniões são geralmente meras suposições. As especulações sobre a sua vida deram origem a vários mitos que foram propagados por seus primeiros biógrafos, dificultando o trabalho de separar o fato da ficção. Pode-se encontrar muita informação em suas obras, como na Vida Nova (La Vita Nuova) e na Divina Comédia (Commedia).

Na Vida Nova Dante fala de seu amor platônico por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari), que encontrara pela primeira vez quando ambos tinham 9 anos e que só voltaria a ver 9 anos mais tarde, em 1283. Nos tempos de Dante, o casamento era motivado principalmente por alianças políticas entre famílias. Desde os 12 anos, Dante já sabia que deveria se casar com uma moça da família Donati. A própria Beatriz casou-se em 1287 com o banqueiro Simone dei Bardi e isto, aparentemente, não mudou a forma como Dante encarava o seu amor por ela. Provavelmente em 1285, Dante casou-se com Gemma Donati, com quem teve pelo menos três filhos. Uma filha de Dante tornou-se freira e assumiu o nome de Beatrice.
Em 1290, Beatriz morreu repentinamente, deixando Dante inconsolável. Esse acontecimento teria provocado uma mudança radical na sua vida, o levando a iniciar estudos intensivos das obras filosóficas de Aristóteles e a dedicar-se à arte poética.
Dante foi fortemente influenciado pelos trabalhos de retórica e filosofia de Brunetto Latini - um famoso poeta que escrevia em italiano (e não em latim, como era comum entre os nobres), tendo também se beneficiado da amizade com o poeta Guido Cavalcanti - ambos mencionados na sua obra. Pouco se sabe sobre sua educação. Segundo alguns biógrafos, é possível que tenha estudado na Universidade de Bologna, onde provavelmente esteve em 1285.
A Itália no tempo de Dante estava dividida entre o poder do papa e o poder do Sagrado Império Romano. O norte era predominantemente alinhado com o imperador (que podia ser alemão ou italiano) e o centro, com o papa (veja mapa).
A Itália, porém, não era um império coeso. Não havia um único centro de poder. Havia vários, espalhados pelas cidades, que funcionavam como estados autônomos e seguiam leis e costumes próprios. Florença era, na época, uma das mais importantes cidades da Europa, igual em tamanho e importância a Paris, com uma população de mais de 100 mil habitantes e interesses financeiros e comerciais que incluíam todo o continente.
Dante nasceu em uma Florença governada pelos guibelinos, que haviam tomado a cidade dos guelfos na sangrenta batalha conhecida como Montaperti (monte da morte), em 1260. Em 1289, Dante lutou com o exército guelfo de Florença na batalha de Campaldino, onde os florentinos venceram os exércitos guibelinos de Pisa e Arezzo, e recuperaram o poder sobre a cidade.
Na época de Dante, o governo da cidade era exercido por representantes eleitos de corporações de operários, artesãos, profissionais, etc., chamadas de guildas. Dante se inscreveu na guilda dos médicos e farmacêuticos e disputou as eleições em Florença, tendo sido eleito em 1300 como um dos seis priores (presidentes) do Conselho da Cidade.
Os priores de Florença (entre eles Dante) viviam em constante atrito com a igreja de Roma que, sob o governo do papa Bonifácio VIII, pretendia colocar toda a Itália sob a ditadura da igreja. Em um dos encontros com o papa, onde os priores foram reclamar da interferência da igreja sobre o governo de Florença, Bonifácio respondeu ameaçando excomungá-los. A briga entre os Neri e Bianchi tornou-se cada vez mais intensa durante o mandato de Dante, até que ele teve que ordenar o exílio dos líderes de ambos os lados para preservar a paz na cidade. Dante foi extremamente imparcial, incluindo, entre os exilados, um dos seus melhores amigos (Guido Cavalcanti) e um parente de sua esposa (da família Donati).
No meio da confusão entre os guelfos de Florença, o papa decidiu enviar Carlos de Valois (irmão do rei Felipe da França) como pacificador para acabar com a briga entre as facções. A suposta ajuda, porém, revelou ser um golpe dos Neri para tomar o poder. Eles ocuparam o governo de Florença e condenaram vários Bianchi ao exílio e à morte. Dante foi culpado de várias acusações, entre elas corrupção, improbidade administrativa e oposição ao papa. Foi banido da cidade por dois anos e condenado a pagar uma alta multa. Caso não pagasse, seria condenado à morte se algum dia retornasse a Florença.
No exílio, Dante se aproximou mais da causa dos guibelinos (o império), à medida em que a tirania do papa aumentava. Ele passou o seu exílio em Forlì, Verona, Arezzo, Veneza, Lucca, Pádua (e também provavelmente em Paris e Bologna).
 Dante no Exílio. Anônimo. Archivo Iconográfico S. A., Itália. Imagem pertencente à Corbis Image Collections.
Em 1315 voltou a Verona e dois anos depois fixou-se em Ravenna. Suas esperanças de voltar a Florença retornaram depois que o sucessor de Bonifácio VIII chamou à Itália o imperador Henrique VII. O objetivo de Henrique VII era reunir a Itália sob seu reinado. Porém, a traição do papa, que ainda alimentava a idéia de ter um império próprio, seguida por uma nova vitória dos Neri e a morte de Henrique VII três anos depois, enterraram de vez as suas esperanças.
Na obra La Vita Nuova, seu primeiro trabalho literário de importância, iniciado pouco depois da morte de Beatriz, Dante narra a história do seu amor por Beatriz na forma de sonetos e canções complementadas por comentários em prosa. Durante o seu exílio Dante escreveu duas obras importantes em latim: De Vulgari Eloquentia, onde defende a língua italiana, e Convivio, incompleto, onde pretendia resumir todo o conhecimento da época em 15 livros. Apenas os quatro primeiros foram concluídos. Escreveu também um tratado: De Monarchia, onde defendia a total separação entre a Igreja e o Estado. A Commedia consumiu 14 anos e durou até a sua morte, em 1321, ocorrida pouco após a conclusão do Paraíso. Cinco anos antes de sua morte, foi convidado pelo governo de Florença a retornar à cidade. Mas os termos impostos eram humilhantes, semelhantes àqueles reservados a criminosos perdoados, e Dante rejeitou o convite, respondendo que só retornaria se recebesse a honra e dignidade que merecia. Continuou em Ravenna, onde morreu e foi sepultado com honras.
Suas obras foram:
Divina Commedia. Até 1500, aproximadamente, o título do poema foi Comédia. Divina, Divina Comédia. A primeira edição veneziana, de Giolito, impressa em 1555, traz esse título. E assim ficou. A insistência em harmonizar o poema com os números 3, 10 e seus múltiplos indica a forte presença do simbolismo inerente à cultura medieval, no espírito do autor, ou sua devoção à Santíssima Trindade. Para o itinerário conhecido: Inferno-Purgatório-Paraíso foram três guias: Virgílio, o maior dos Poetas para o poeta Dante, ao longo do Inferno e pelo Purgatório; Beatriz, do paraíso terrestre, subindo pelas esferas celestes, até o Empíreo; São Bernardo, que vai postar o peregrino à face de Deus.
Vita Nuova, escrita aos 27 anos, espécie de livro de lembranças, evocando a juventude e poetando seu amor por Beatriz. São 25 sonetos, 5 canções e uma balada. Um comentário em prosa elucida o leitor acerca das circunstâncias em que foram escritos e do estado da alma do poeta, ao versejar.
Convívio, obra de homem de quarenta anos, trabalhando pelas esperanças, paixões e desenganos. Porém, trata mais de cultura que de política. Convívio foi composta em vernáculo e desenvolve a tese de ser a cultura elemento necessário e vital. Projetada para 15 livros ou volumes, teve apenas quatro deles realizados.
De Vulgari Eloquentia, escrito em latim, é, contudo, a defesa da linguagem popular _ digamos que de uma língua popular comum à península itálica. Planejada para quatro volumes, ficou no décimo quarto capítulo do segundo deles. Constitui o primeiro estudo, com pretensão científica, de língua moderna.
Monarchia, eminente tese política, elaborada para a ida à Itália de Henrique VII. Levanta o problema da participação do homem na atividade política, da qual, bem entendida e praticada, dependem o progresso da comunidade e o aperfeiçoamento do indivíduo.
Quaestio de Aqua et Terra, a versão escrita e pouco alongada de aula ministrada pelo poeta em Verona(20.1.1320) sobre a então apaixonante e discutida questão de não poder a água, em lugar algum, superar, em altura, a terra imersa. Os comentadores ressaltam, deste tratado, a dialética precisa, a linguagem escorreita.
Epístolas. Restam treze das cartas, todas em latim, a diferentes destinatários. Guardam interesse pelo que representam como estilo e demonstração de erudição.
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